Ícone do site Casimiro Ribeiro Garcia Advocacia

Reajuste indevido de mensalidades – contestação de aumentos abusivos em planos de saúde.

Reajuste indevido de mensalidades – contestação de aumentos abusivos em planos de saúde.

Receber o boleto do plano de saúde e se deparar com um reajuste que parece desproporcional ou mesmo absurdo é uma realidade que assusta muitos consumidores. Em um país onde a saúde suplementar é vital para milhões de famílias, a mensalidade do plano de saúde representa uma parcela significativa do orçamento. Por isso, quando os aumentos se tornam abusivos, a sensação de impotência e indignação é imensa.

Se você está passando por essa situação, saiba que não está sozinho. Mais importante ainda: você tem direitos e ferramentas para contestar esses reajustes. Entender os tipos de aumento, os limites legais e o que fazer diante de cobranças indevidas é o primeiro passo para proteger seu bolso e garantir a continuidade do seu acesso à saúde.

Os Tipos de Reajuste: Entenda o Que Está Sendo Cobrado

Para começar a contestar, é essencial identificar qual tipo de reajuste está sendo aplicado ao seu plano. Basicamente, existem três modalidades principais de aumento nas mensalidades:

  1. Reajuste Anual (ou por Variação de Custos): Este é o aumento autorizado anualmente pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para planos individuais e familiares. Para os planos coletivos (empresariais e por adesão), a ANS não define um teto, mas acompanha o índice. Esse reajuste busca compensar o aumento dos custos médico-hospitalares.
  2. Reajuste por Faixa Etária: Este aumento é aplicado à medida que o beneficiário avança em determinadas faixas de idade (ex: de 18 para 19 anos, de 23 para 24, etc., até os 59 anos). Embora seja legal, os percentuais aplicados devem seguir regras específicas e não podem ser excessivos ou discriminatórios em idades mais avançadas, especialmente após os 60 anos.
  3. Reajuste por Sinistralidade (Exclusivo para Planos Coletivos): Este é o reajuste aplicado a planos empresariais ou por adesão e reflete a relação entre as despesas médicas (sinistros) e as receitas do plano dentro de um período. Ou seja, se o grupo utilizou muito o plano, o reajuste pode ser maior. O problema surge quando esse reajuste é aplicado sem critérios claros ou de forma desproporcional.

A combinação desses reajustes é o que, muitas vezes, torna a mensalidade inviável, especialmente para idosos ou famílias com histórico de doenças que demandam mais uso do plano.

Quando o Reajuste se Torna Abusivo?

Apesar de os reajustes serem previstos em contrato, a lei brasileira e a jurisprudência dos tribunais estabelecem limites para evitar que se tornem uma prática abusiva. Um reajuste é considerado indevido quando:

Os Direitos do Consumidor Diante do Aumento Abusivo

Diante de um reajuste que você considera indevido, saiba que você tem direitos amparados pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC) e pela Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98):

Como Contestar o Reajuste Indevido: Um Guia Prático

Se você identificou um aumento que parece abusivo, siga este caminho:

1. Verifique os Detalhes do Reajuste

Olhe atentamente o boleto e o comunicado da operadora. Qual tipo de reajuste foi aplicado? Qual o percentual? Compare com os índices da ANS (se for um plano individual) ou com o histórico de reajustes do seu plano.

2. Entre em Contato com a Operadora de Saúde

O primeiro passo é sempre tentar resolver amigavelmente. Contate a central de atendimento da sua operadora (por telefone, e-mail ou canais digitais). Explique sua insatisfação, peça a justificativa para o reajuste e, se possível, solicite uma revisão. Anote sempre o número de protocolo de atendimento.

3. Registre uma Reclamação na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar)

Se a operadora não resolver a questão ou não apresentar uma justificativa satisfatória, o próximo passo é registrar uma reclamação na ANS. A ANS é o órgão regulador do setor de planos de saúde. Você pode fazer isso pelo site, telefone ou presencialmente. A reclamação na ANS pode gerar uma intermediação e até mesmo penalidades para a operadora, forçando-a a reavaliar o caso.

4. Procure um Órgão de Defesa do Consumidor (Procon)

O Procon da sua cidade ou estado é outra ferramenta poderosa. Você pode registrar uma reclamação formal, e o Procon notificará a operadora, podendo agendar uma audiência de conciliação para tentar um acordo.

5. Busque Assessoria Jurídica Especializada: O Caminho Mais Efetivo

Se, mesmo após todos esses passos, a operadora não ceder ou a solução oferecida não for justa, a via judicial é a alternativa mais eficaz. É neste momento que a atuação de um advogado especialista em direito da saúde se torna fundamental.

Um advogado poderá:

A jurisprudência brasileira tem sido favorável aos consumidores nesses casos, especialmente para reajustes por faixa etária abusivos (principalmente para idosos) e reajustes anuais ou por sinistralidade sem justificativa clara ou com percentuais excessivamente altos.

Não Cancele o Plano por Impulso!

Uma armadilha comum é o consumidor, ao se deparar com o aumento, simplesmente cancelar o plano. Evite essa atitude precipitada! O cancelamento pode trazer problemas futuros, como a perda da carência em um novo plano ou a dificuldade de contratar outra operadora, especialmente se você ou algum dependente tiver uma doença preexistente.

A melhor estratégia é manter o pagamento da mensalidade (ainda que abusiva) e buscar a via judicial para a revisão dos valores e a restituição do que foi pago a maior. Isso garante a continuidade da sua cobertura enquanto você luta pelos seus direitos.

Lute Pelos Seus Direitos e Proteja Sua Saúde Financeira

Reajustes abusivos em planos de saúde são uma afronta aos direitos do consumidor e uma prática que pode comprometer seriamente seu acesso à saúde. Não se conforme com aumentos injustificados. As ferramentas legais existem para proteger você.

Seja proativo: verifique seu contrato, entenda os reajustes aplicados e, se identificar abusos, não hesite em procurar um advogado. Um profissional qualificado será seu maior aliado na busca pela redução da mensalidade e pela restituição dos valores pagos indevidamente, garantindo que seu direito à saúde seja exercido de forma justa e acessível. Sua saúde e seu bolso merecem essa proteção!

Sair da versão mobile